28 de outubro de 2010

HOMENAGEM AO ESCRITOR E ATOR - OSCAR CALIXTO - POEMA SEM FIM






POEMA SEM FIM


Sei que o amor é uma flecha / Que percorre o espaço e, quase sempre, no alvo acerta / Sei que acertar é melhor quando miramos, / Quando queremos, quando sonhamos / Mas sei também que é muito melhor quando o presente é nos dado sem que, para isto, sequer nos esforçamos / Quando é “comprado” com os dotes que destinamos, / O amor torna-se fraco ao passar dos anos / Posto que, para isto, empregou-se expectativas / E é então que o sabor da conquista morre se não a reinventamos / No amor investi minha vida / Mais da metade de todos os anos / E equivoquei-me plenamente em todos / Por entregar-me sempre muito mais do que devia / Eu atrelo o amor à felicidade / E é por isso que me doo tanto / Por achar que esta é a única razão dessa vida / Atrelo o amor à minha completa razão e capacidade / Atrelo o amor à total essência, verdade e (in)-sanidade do homem / E é exatamente por isso que sou assim / E é exatamente isto que torna-me um pouco mais artista / Um pouco mais humano / Acredito que vivo num mundo “non sense” / Num beco sem saída / Mas não me arrependo de vê-lo da maneira que vejo / Por achar que é este o real sentido da vida! / Você para mim é, deveras, especial / Assim como um regalo concedido e que quero cuidar eternamente / Sei que aparecerão os caçadores com seus arcos cruelmente apontados para ti / Sedentos para te ter e possuir o que acham que tens de melhor / E ai… Se sempre eu pudesse me fazer de escudo! / Porque o que tenho para ti é o que há em mim de mais puro! / Não quero ter-te apenas neste momento ou enquanto ainda és jovem / Quero ter-te por completo sentimento de que és o que para mim é o melhor / Apaixonei-me pelo que és em aromas,

Em gostos,

Em jeito,

Em cores,

Luzes,

Em brilhos

E beijo

E o que dou para ti é realmente o que tenho de mais claro e precioso / O mundo nos fez encontrar-nos na totalidade, meu bem! / E como por isto eu era ansioso! / Fez nos encontrarmos exatamente naquilo que amamos, que acreditamos, que lutamos e que queremos por fim / É bom olhar em teus olhos risonhos / É bom dormir ao teu lado, ao lado dos sonhos / Prescrutando a obscena e cretina realidade do mundo / Enquanto sorrimos e sonhamos / Ou, de tanto amor, até mesmo choramos / Não pretendo ser “mais um” em sua vida / Pretendo ser o definitivo. Aquele que basta, o que lhe é tranquilo / Uma frase acertiva / Tento ser teu porto seguro, tua morada, tua casa, tua vida / Sei que a casualidade do mundo, em sua real injustiça, irá nos propor alguns obstáculos / Mas estes somente devem servir para vermos o quanto somos capazes / De continuar sempre juntos nesta corrida / Este não é somente mais um poema para ti… / Posto que, de todos, é o mais incomum / O único que não terá fim / Não mais um dos que tantos já escreveram ou escreverão para ti… / Este é um poema sem fim… / Como um prólogo de tudo que desejo que seja o nosso amor, enfim / Este é um poema sem fim… / Como expressão máxima de tudo o que tenho para ti / Este é um poema sem fim… / Como descrição exata de tudo o que desejo para nós, nessa vida, / Como um belo e único jasmim… / Este é um pema sem fim….

Sem pontos,

Sem meios,

Sem formas,

Sem métricas,

De prós,

Sem contras,

Deste amor,

De mim…

Este é um poema sem fim… / Sem fim… / Sem Fim!...


POR OSCAR CALIXTO



Oscar Calixto (Maceió, 8 de outubro de 1979) é um ator e escritor brasileiro. Iniciou sua carreira de ator na cidade de Juiz de Fora, onde fez diversos trabalhos importantes e significativos. Foi lá que o ator teve a oportunidade de fazer cinema pela primeira vez. O filme foi "A Fuga", dirigido por Léo Niecklevicz. Em 2003, recebeu sete prêmios de melhor dramaturgia com a peça Minha Vida na Lembrança. Em 2006 foi selecionado no XIX Concurso Internacional de Literatura de Outono das Edições AG. Em 2007 obteve o título de “Cavaleiro Dragão” no Concurso Internacional de Poesia "José Lins do Rego": concorrendo com poetas de outros 25 países, e com mais de 6.600 outras poesias, obteve o 7º lugar na competição.

Obra:

Dramaturgia

Adenoma
A Família Thompson
Avenida Brasil
História da Loucura
Minha Vida na Lembrança
O Poeta Laureado
O Fabuloso Circo
Alfarrábios
O Autor de um Crime Perfeito
Esquecemos a Brisa
Cortando Cebolas ou A Hora do Jantar
Literatura Novela

O Corpo Marcado de Giz - Não editado
Poesia

Fragmentos e Outros Poemas
Pétalas
Outros

Contos Proféticos e Outras Histórias
Casos de Família e Outros Contos
Como ator e diretor, Oscar Calixto vem desenvolvendo uma pesquisa interessante nos cernes da verdade cênica (dramaturgia e interpretação). Seu trabalho tem sido bastante elogiado pela crítica.

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